O CUPRA Formentor VZ5, equipado com o cinco cilindros que dá vida aos Audi RS 3, RS Q3 e TT RS, pode até ser o elemento mais entusiasmante da família. Ainda assim, o Formentor VZ de 310 cv - o que conduzi neste teste - continua a parecer-me a proposta mais equilibrada da gama.
Em teoria, há 80 cv a separar ambos (390 cv face a 310 cv), a carroçaria do VZ5 está 10 mm mais perto do asfalto, surgem jantes maiores (20”) e travões de maior capacidade.
E se, em pista, essas alterações podem inclinar a balança a favor do VZ5, fica a dúvida: para o dia a dia, no «mundo real», será mesmo necessário ir «até ao limite»?
A resposta é curta e clara: não. Pode não ter o mesmo grau de exclusividade - o VZ5 está limitado a 7000 unidades -, mas em estrada o Formentor VZ também mostra argumentos de sobra.
Motor «para dar e vender»
Se há razão para eu apreciar particularmente o CUPRA Formentor VZ, ela começa no que está sob o capô: o 2.0 TSI de quatro cilindros (2,0 litros).
Falamos do conhecido EA888, o mesmo bloco que encontramos, por exemplo, no Volkswagen Golf R, e que aqui surge com 310 cv e 400 Nm de binário máximo.
Este conjunto é gerido por uma caixa automática de dupla embraiagem com sete relações, que distribui a força pelas quatro rodas. O resultado é um crossover espanhol capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 4,9s e de atingir 250 km/h de velocidade de ponta.
Mas o encanto não se limita ao arranque em linha reta: quando a estrada começa a desenhar curvas, o Formentor VZ continua a estar à altura - e isso não é algo de que todos os crossovers deste segmento se possam gabar.
O chassis mantém-se sempre competente e a melhor prova de que este é um carro «bem nascido» está na forma como consegue ser envolvente ao volante, tanto nas versões mais apimentadas como na variante de acesso, a 1.5 TSI (que também já conduzi).
Também merece destaque a forma como o motor entrega a força, quase sempre de maneira muito «cheia», e a boa sintonia com a caixa DSG, que se revela simples na utilização, rápida nas respostas e eficaz no dia a dia.
Modo CUPRA liberta a «besta»
Há quatro modos de condução disponíveis (Comfort, Sport, CUPRA e Individual). E é no modo CUPRA que se consegue extrair o melhor do comportamento dinâmico deste modelo, que inclui de série amortecedores de dureza variável, ajustáveis em até 15 níveis.
Neste programa, a resposta do acelerador, a lógica da transmissão, o peso da direção e a firmeza da suspensão mudam de forma evidente. Ao mesmo tempo, há alterações na forma como atua o controlo de tração e na sonoridade do escape, que fica mais rouca - embora, na minha perspetiva, com um toque demasiado artificial.
Ainda assim, independentemente do modo selecionado, a direção mantém-se muito comunicativa e o eixo dianteiro reage depressa. E isso pesa bastante para que a experiência ao volante deste Formentor VZ seja tão interessante.
E os consumos?
Quando se tira partido do modo CUPRA (ou até do Sport…), os consumos médios deste espanhol sobem com facilidade: não é difícil ver valores na ordem dos 12 l/100 km. Contudo, com alguma disciplina, dá para manter médias abaixo dos 10 l/100 km.
Não são números impressionantes, mas convém lembrar o contexto: estamos perante um crossover desportivo com 310 cv e praticamente 1650 kg. Neste caso, acredito mesmo que a dinâmica e o «poder de disparo» justificam fechar um pouco os olhos aos consumos.
É o carro certo para si?
O CUPRA Formentor existe em vários «sabores», ou seja, com motorizações pensadas para diferentes perfis.
Para quem procura mais vantagens em ambiente urbano, a variante híbrida plug-in pode ser a escolha adequada. Mas, não sendo essa uma exigência, este Formentor VZ parece-me a versão que melhor concilia a desportividade que o modelo promete com a utilização no tal «mundo real».
Não é tão «poupado» como as opções menos potentes e a afinação mais firme - juntamente com as jantes de 19” - sente-se mais em estradas de pior piso. Mas são pormenores que se tornam fáceis de esquecer quando «atacamos» uma sequência de curvas com mais vontade.
Além de tudo isto, continua a ser uma proposta versátil. E mesmo com uma linha de tejadilho mais baixa, permite que dois adultos de estatura média viajem atrás com conforto.
E quando se diz dois adultos, diz-se também, inevitavelmente, duas cadeirinhas de crianças. A isto juntam-se os 420 litros da bagageira (450 l nas versões de duas rodas motrizes e 345 l no e-Hybrid), argumentos que irão agradar a pais e mães que procuram um automóvel capaz de responder às exigências familiares, sem abdicar de uma dinâmica apurada e de um pulmão forte.
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