Saltar para o conteúdo

Teste ao Volkswagen ID. Buzz em Portugal

Carro elétrico Volkswagen ID Buzz Z3 amarelo e branco em exposição num espaço moderno e minimalista.
A espera foi longa, e compensou.

Dificilmente será exagero dizer que o novo Volkswagen ID. Buzz foi, durante muito tempo, o elétrico mais ansiado da marca alemã. Basta espreitar a lista de encomendas em Portugal…

Com inspiração no mítico «Pão de Forma», o ID. Buzz assume-se, ao mesmo tempo, como o elétrico mais familiar e o mais emocional da Volkswagen. E não é preciso grande esforço para perceber o motivo.

Por cá, pelo menos nesta fase, só é comercializado na variante Pro - e, para já, apenas com cinco lugares. Ainda assim, a oferta de pacotes de equipamento opcionais permite tornar o «nosso» ID. Buzz mais exclusivo.

Admito: era um dos modelos que mais queria experimentar.

Depois de o Diogo Teixeira o ter conduzido na Dinamarca, chegou a nossa vez de testar o Volkswagen ID. Buzz em Portugal, para perceber se há «substância» ou se fica apenas pelo «exercício de estilo». Recordem esse vídeo aqui:

Espaço para tudo

Assim que entramos no Volkswagen ID. Buzz, torna-se claro que juntar a silhueta de MPV (monovolume) à plataforma MEB foi uma aposta ganha.

Na frente existe tanta folga que quase daria para imaginar um terceiro lugar entre condutor e passageiro; atrás, o espaço é exemplar - só sinto falta de três bancos individuais, como é habitual nos MPV.

Mesmo sem essa solução, o banco traseiro corre 15 cm, o que ajuda a aumentar (ainda mais) a capacidade da bagageira. Com 1121 litros, é um verdadeiro «sonho» para qualquer família e permite viajar sem grandes preocupações com a quantidade de malas. Na dúvida, dá para levar quase tudo.

Adeus, sobriedade. Olá, jovialidade

Ainda no habitáculo do Volkswagen ID. Buzz, merece destaque a atmosfera jovem, clara e cheia de cor. Está alinhada com o espírito do «Pão de Forma» original e, sem dúvida, agradou à maioria das pessoas que tive oportunidade de levar a bordo.

Os materiais são, na sua maioria, rígidos ao toque, mas não deixam dúvidas quanto à durabilidade nem à perceção de qualidade. A solidez também está bem conseguida, embora, em pisos mais degradados, o outro MPV da Volkswagen - a Multivan - continue a mostrar uma filtragem superior em termos de amortecimento.

É pena, isso sim, que o sistema de infoentretenimento mantenha uma utilização pouco intuitiva: há submenus a mais e a rapidez de resposta podia ser melhor.

Por último, a posição de condução merece elogios. É mais elevada do que em muitos SUV e, em conjunto com a enorme área vidrada, garante boa visibilidade para fora - algo essencial quando se conduz um modelo tão grande como o ID. Buzz.

Grande, mas fácil de conduzir

Se em fotografia o ID. Buzz até pode parecer contido, basta estar ao lado dele para confirmar as dimensões: 4,71 m de comprimento, 1,98 m de largura e quase dois metros de altura.

Em ambiente urbano, estas medidas exigem atenção extra nas manobras. Mas há «boas notícias»: a ampla superfície envidraçada mencionada antes ajuda a perceber onde acabam todos os «cantos» da carroçaria, as várias câmaras apresentam boa resolução e o raio de viragem de apenas 11,1 m faz com que pareça mais «curto» do que realmente é.

Em estrada aberta, este porte transforma-se em excelente estabilidade e num conforto de rolamento convincente. Aliás, o ID. Buzz deixa claro que não é um furgão adaptado para passageiros, como acontece, por exemplo, com o Peugeot e-Traveller.

Em dinâmica, beneficia das rodas de grandes dimensões (jantes de 21″ e pneus com 235 mm à frente e 265 mm atrás) e de um amortecimento competente, que asseguram bons níveis de aderência. Chega mesmo a disfarçar as quase 2,5 toneladas quando a estrada se torna mais sinuosa.

Nas travagens, aí sim, sente-se o peso do ID. Buzz, mas tudo acontece com segurança e de forma previsível - exatamente o que se pretende num familiar.

O «peso» da experiência

Resta falar do motor elétrico. Com 150 kW (204 cv) e 310 Nm de binário máximo, permite manter bons ritmos, mas o que mais me impressionou foi a eficiência, a confirmar a experiência acumulada da Volkswagen no «mundo» dos elétricos.

Depois de quase 1000 km ao volante do ID. Buzz, registei uma média de 19 kWh/100 km - e acreditem que não andei a poupar bateria, nem fiz apenas cidade; bem pelo contrário.

Ao volante do ID. Buzz somei muitos quilómetros de autoestrada; enfrentei chuva torrencial, que afastou qualquer instinto de poupança e me obrigou a usar o ar condicionado. Até me «obriguei» a passear pela cidade de Lisboa.

Curiosamente, foi precisamente nessa utilização que o ID. Buzz se revelou mais «guloso», com a média a subir até aos 25 kWh/100 km.

No fim, a autonomia oficial de 418 km não está muito longe do que se consegue na prática, sobretudo se tirarmos partido do bom sistema de controlo de cruzeiro adaptativo, que ajuda a «esquecer» o acelerador em autoestrada.

Não é barata, mas é competitiva

Com um preço de entrada nos 62 907 euros (51 144 euros se excluirmos o IVA), o Volkswagen ID. Buzz está longe de ser «acessível». Ainda assim, quando o colocamos lado a lado com a concorrência, acaba por surgir como uma proposta bastante competitiva.

Olhando apenas para rivais 100% elétricos, o ID. Buzz oferece mais autonomia e mais potência do que os «gémeos» da Stellantis e da Toyota. Custa menos do que todos eles e, além disso, não traz os «genes de comercial» que se sentem nesses modelos.

Se, por outro lado, alargarmos o «espectro de opções» às alternativas a combustão, é impossível não apontar a sua «irmã» Volkswagen Multivan como um dos adversários mais fortes.

Afinal, consegue ser mais versátil do que o ID. Buzz e é igualmente espaçosa, embora não atinja o mesmo apelo visual.

Além disso, não beneficia de todos os apoios destinados à compra de elétricos - tem uma versão híbrida plug-in, mas não recebe tantas benesses fiscais -, algo que pode ajudar o ID. Buzz a «vencer a contenda» no mercado.

Especificações


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário