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Azoto nos pneus: vantagens e desvantagens

Automóvel desportivo cinzento com jante preta e travão vermelho, em interior de garagem moderna.

O ar que, regra geral, se coloca nos pneus é exatamente o mesmo que respiramos: uma mistura composta sobretudo por azoto, oxigénio e água sob a forma de vapor.

O problema é que esse ar “normal” pode afetar negativamente o comportamento do pneu. Como contém oxigénio e vapor de água, a pressão tende a variar quando a temperatura no interior do pneu muda.

Essas oscilações nem sempre jogam a favor: podem influenciar a manobrabilidade, o consumo de combustível, a longevidade dos pneus e até a segurança.

Como alternativa ao ar, é possível encher os pneus com azoto (N2). Trata-se de um gás inerte (no passado também designado por nitrogénio), com moléculas maiores e com uma quantidade muito reduzida de oxigénio e vapor de água. Na prática, isto significa que não apresenta variações de pressão tão relevantes quando a temperatura do pneu se altera.

É frequente identificar pneus enchidos com azoto pelas tampas verdes nas válvulas. Essas tampas surgiram precisamente para distinguir pneus com azoto dos enchidos com ar comum.

Vantagens

Depois desta breve “aula de química”, por que razão se usa azoto nos pneus? Existem, de facto, várias vantagens associadas, embora poucas sejam realmente determinantes no uso quotidiano.

Maior eficiência:

  • O azoto pode contribuir para reduzir o consumo de combustível e as emissões de CO2, já que a pressão do pneu se mantém mais estável (com menor variação).

Maior durabilidade:

  • Pode prolongar a vida útil do pneu porque, ao gerar menos calor, o pneu atinge temperaturas mais baixas quando sujeito a condições mais exigentes.
  • Ajuda a reduzir a oxidação na zona de contacto entre o pneu e a jante, bem como a corrosão da própria jante.
  • Permite espaçar um pouco mais a manutenção da pressão, uma vez que o azoto tem moléculas maiores.

Maior segurança:

  • Favorece a condução porque a pressão tende a manter-se constante com a temperatura, e o comportamento do veículo é melhor quando se conduzem limites mais extremos.
  • Ajuda a manter valores de pressão mais semelhantes entre os quatro pneus, algo que nem sempre acontece com ar comum, onde a perda de pressão pode diferir de pneu para pneu.
  • Como a pressão varia menos, reduz-se a probabilidade de surgirem avisos nos sistemas de monitorização da pressão dos pneus.

Desvantagens

A desvantagem mais evidente é a falta de praticidade para acertar a pressão com ar comum, disponível em qualquer estação de serviço.

Ao optar por azoto, a reposição deve ser feita sempre com azoto, não sendo possível, nem recomendável, misturar com ar comum.

Para encher pneus com azoto, é necessário retirar previamente todo o ar: esse procedimento é realizado com uma máquina que extrai o ar do interior do pneu. Se mais tarde se quiser voltar ao ar comum, o processo terá de ser semelhante, começando por esvaziar totalmente o pneu.

O custo pode ser outro ponto contra, já que o ar comum é gratuito, enquanto o azoto pode ser cobrado nas oficinas de pneus.

Aplicações

Encher pneus com azoto é algo mais associado à competição, como acontece, por exemplo, na Fórmula 1 ou na NASCAR.

Também é frequente em pneus de aviões, veículos militares, entre outros. Por não alimentar a combustão, o azoto é igualmente usado em veículos que transportam produtos inflamáveis.

Conclusão

Apesar das várias vantagens apontadas, nos automóveis de utilização diária o azoto nos pneus tende a ser pouco relevante. Em condução normal, não se atingem temperaturas que justifiquem esse benefício e, por isso, dificilmente se notará diferença no comportamento do veículo no dia a dia.

No final, a regra mantém-se: deve verificar-se a pressão dos pneus com regularidade, quer use ar, quer use azoto. Com ar comum, essa tarefa acaba por ser mais simples.

Última atualização a 7 de junho de 2023


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