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Incêndios em carros elétricos: o que dizem os números e como reduzir o risco

Carro desportivo elétrico verde metálico numa garagem moderna com carregador elétrico e plantas decorativas.

Nas últimas semanas, têm surgido várias notícias sobre incêndios em carros elétricos, incluindo casos em que os danos ultrapassam largamente o próprio veículo que ardeu.

Um exemplo marcante ocorreu a 1 de agosto, em Seul (Coreia do Sul): um elétrico incendiou-se num parque de estacionamento subterrâneo e as chamas acabaram por destruir cerca de 140 automóveis. O combate ao fogo prolongou-se por oito horas até à sua extinção. Para reduzir a inquietação pública, o governo sul-coreano anunciou que irá avançar com medidas adicionais de segurança para veículos elétricos e está a dialogar com diversos construtores.

Ainda assim, apesar da severidade deste episódio, será que um carro elétrico a arder é, de facto, algo tão comum quanto a cobertura mediática pode sugerir? É tempo de «tirar as teimas».

Porque é que um incêndio num carro elétrico é diferente?

É natural que a segurança desta tecnologia continue a levantar dúvidas. E há um motivo concreto: quando um automóvel elétrico se incendeia, o comportamento do fogo não é igual ao de um carro com motor a combustão. A ignição tende a ser mais intensa e a extinção mais complicada, em grande parte por causa da composição química das baterias de iões de lítio.

Ao mesmo tempo, a ideia de que os elétricos ardem mais do que os restantes pode estar fortemente ligada à forma como estas ocorrências são noticiadas. Em vez de ficarmos pelas perceções, vale a pena olhar para dados.

Vamos a números

Segundo um relatório elaborado em 2022 pela UE, “algumas estatísticas internacionais estimam que existam atualmente cerca de cinco incêndios por cada 1,6 mil milhões de quilómetros percorridos por carros elétricos, em comparação com 55 incêndios por carros com motor a combustão, na mesma quilometragem.”

Voltando à Coreia do Sul, a incidência também surge como baixa. De acordo com o Science & Technology Policy Institute, em 2023 registaram-se 1,3 incêndios por cada 10 mil automóveis atribuídos a veículos 100% elétricos. Já entre os carros com motor a combustão, o valor é superior: 1,9 incêndios.

Nos Estados Unidos da América (EUA), um estudo publicado pela AutoInsurance em 2023 - com base em dados recolhidos pelo National Transportation Safety Board - aponta que, por cada 100 mil elétricos vendidos, 25 acabaram por arder. Em contraste, o número aumenta para 1530 no caso de veículos apenas a combustão e para 3475 quando se trata de híbridos.

Em conjunto, estes estudos indicam que, proporcionalmente, são os automóveis com motor a combustão os que mais se incendeiam. Ainda assim, não se trata de uma questão de “ganhadores” e “perdedores”: é essencial fazer tudo o que for possível para reduzir o risco de incêndio em qualquer veículo que usamos.

O que se pode fazer para reduzir o risco?

Na Coreia do Sul, uma das primeiras exigências avançadas pelo governo após o incêndio de 1 de agosto foi pedir aos construtores automóveis que identifiquem os fornecedores das baterias.

Segundo analistas sul-coreanos, esta iniciativa - que permitirá perceber que fornecedor tem baterias associadas a mais incidentes - não será, por si só, suficiente para diminuir o risco de incêndio. Defendem que serão necessários sistemas de alerta precoce e medidas de proteção contra incêndios mais robustas, sobretudo em espaços como parques de estacionamento subterrâneos.

Na União Europeia, o novo regulamento (2023/1542), que altera as regras aplicáveis ao ciclo de vida das baterias, prevê a introdução em 2027 do “passaporte para baterias”.

A intenção é garantir acesso a informação detalhada sobre as baterias, incluindo a sua origem, os materiais utilizados e os dados relevantes após o fabrico.

Kim Jonghoon, professor na Universidade Nacional de Chungnam e especialista em veículos elétricos, acrescentou ainda que uma das possíveis soluções pode passar por evitar carregar os automóveis elétricos até ao máximo. Para Kim Jonghoon, há mais registos de incêndio quando o nível de carga ultrapassa 90%.

Baterias mais seguras: tecnologias em evolução

Num horizonte mais longo, é expectável que surjam novas abordagens tecnológicas, como as baterias de estado sólido, em que o eletrólito é, como o nome indica, sólido (e não inflamável). Já nas atuais baterias de iões de lítio, o eletrólito é líquido (inflamável).

Entretanto, as baterias LFP (fosfato de ferro-lítio), cada vez mais presentes no mercado, são tidas como mais seguras do que as NMC (níquel, manganês, cobalto), devido a uma maior estabilidade térmica - apesar de ambas pertencerem à família das baterias de iões de lítio.

As baterias de iões de sódio - já integradas em alguns modelos disponíveis na China - também poderão vir a eliminar o risco de incêndio em carros elétricos.

Fonte: Automotive News Europe

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