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18 lombas em dois quilómetros: das rotundas às lombas

Condutor dentro de carro observa lombadas amarelas e vários sinais de trânsito numa rua residencial.

Durante anos, parecia que todas as semanas apareciam mais rotundas. Agora, a sensação é outra: entrámos na era das lombas. Sempre que uma estrada leva uma nova camada de asfalto, quase dá para apostar no «nascimento» de mais algumas.

Lombas por todo o lado

Consigo compreender (e até aceitar) a razão de existirem. Em certos locais, são uma solução muito eficaz para travar excessos de velocidade, sobretudo em áreas mais sensíveis - perto de escolas ou de centros de saúde, por exemplo.

18 lombas em 2 km: o meu percurso diário

O problema é quando a dose passa a ser exagero: 18 lombas em apenas dois quilómetros, como acontece numa rua por onde sou obrigado a passar todos os dias. E, para agravar, sete dessas lombas estão concentradas em menos de 600 metros.

Nessas condições, dois quilómetros transformam-se numa eternidade, especialmente naqueles dias em que o tempo parece jogar contra mim.

Se, por acaso, apanho um autocarro à frente, então a coisa arrasta-se ainda mais. E há um detalhe que torna tudo mais frustrante: nesses dois quilómetros só existem dois pontos com traço descontínuo que permitem ultrapassar. Um fica mesmo em frente a uma escola secundária; o outro, numa curva sem visibilidade. A sério.

Lombas Redutoras de Velocidade (LRV): quando o excesso pesa

E ainda nem toquei nas diferenças de altura e formato entre as várias lombas - ou Lombas Redutoras de Velocidade (LRV), como lhes chama a designação oficial. Até porque a minha «métrica» para as avaliar oscila entre o suspiro acompanhado de revirar de olhos e os insultos de quem vem atrás.

Nas maiores, não é raro ver certos veículos a rasparem por baixo no para-choques ao passar, mesmo a baixa velocidade - se calhar, o mais sensato é mesmo comprar um SUV.

E fico a pensar no impacto a longo prazo, ainda por cima num trajecto específico que faço diariamente: será que isto acelera o desgaste de componentes como a suspensão ou os apoios do motor do meu carro? Acredito que sim.

Antes das lombas, eram as rotundas

Há poucos anos, a história das rotundas repetia-se por todo o lado. Não era tanto uma anedota, mas quase: havia tantas - e, por vezes, em sítios tão inesperados - que acabavam por parecer uma.

Com este novo «flagelo» das lombas, dei por mim a recordar essa fase das rotundas. No fundo, continua a ser um assunto sem graça nenhuma, precisamente por causa do exagero.

Onde é que ficou o bom senso e o bom julgamento? Será que eram mesmo necessárias tantas lombas para se conseguir o objectivo de reduzir a velocidade nessa rua? E alternativas, como semáforos de controlo de velocidade, foram sequer consideradas?

Por muito que tente ignorar, há 18 lombas no meu caminho que não deixam. Todos os dias. Pelo menos duas vezes. Ou seja, 36 lombas. E isto sem contar com as que ainda apanho para lá destes dois quilómetros.

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