O Rei Carlos III - coroado hoje - é conhecido pelo seu interesse por automóveis, com especial carinho pelos modelos da igualmente aristocrática Aston Martin.
Acredita-se que essa ligação tenha começado a ganhar forma quando, em 1969, recebeu da mãe, a Rainha Isabel II, um Aston Martin DB6 Volante no dia do seu 21.º aniversário.
Décadas depois, Carlos III continua a manter o seu DB6 Volante, embora o exemplar já não se apresente totalmente fiel à configuração de origem.
A preocupação ambiental é uma das facetas mais associadas ao monarca, e foi precisamente essa postura que o motivou a adaptar o seu clássico para funcionar com combustíveis alternativos aos de base fóssil.
… mas consome mesmo vinho branco e soro de leite!?
Não literalmente. Se fosse tão simples quanto abastecer com vinho e soro, é provável que muita mais gente escolhesse esse “combustível”.
“Acredite nisto; anda com excedentes de vinho britânico inglês e soro de leite do processo de fabricação do queijo. Fiz essa conversão há muito tempo atrás.”
Rei Carlos III em declarações à BBC
Na prática, o Aston Martin DB6 Volante do Rei Carlos III utiliza E85, isto é, uma mistura composta por bioetanol (85%) e gasolina (15%). Segundo o próprio, esse bioetanol resulta do aproveitamento de excedentes de produção de vinho branco e do soro de leite, subproduto usado no fabrico de queijo.
A utilização de vinho branco na produção de bioetanol remonta ao período em que o Reino Unido integrava a União Europeia. Na UE existem limites definidos para a produção de vinho e, quando há excesso, esse volume pode ser encaminhado para a produção de biocombustíveis, como o E85.
Este DB6 Volante é mais potente
Para concretizar a mudança, o Rei Carlos III conseguiu persuadir os engenheiros da Aston Martin a trabalharem no seis cilindros em linha de 4,0 l do seu DB6 Volante, de forma a permitir-lhe operar com este biocombustível.
Conta-se que, inicialmente, a equipa técnica não recebeu bem o pedido, chegando a defender que a alteração apenas iria danificar o motor. Mas, após a insistência do então príncipe - e até, diz-se, depois de ameaçar deixar de conduzir o automóvel - a Aston Martin acabou por avançar com a intervenção.
E assim, este Aston Martin DB6 Volante passou a “consumir” vinho branco e soro de leite… mais ou menos.
Ainda assim, contrariando as reservas expressas pelos engenheiros da marca britânica, o seis cilindros em linha acabou por ficar mais competente do que em especificação original. Passou mesmo a oferecer mais potência do que os 286 cv de fábrica, embora não tenham sido divulgados valores concretos.
É um desfecho que pode não surpreender. Quando um motor está devidamente preparado para E85, tende a debitar mais potência do que com gasolina comum, graças à maior octanagem do combustível e à sua ignição mais rápida. Os «monstros» da Koenigsegg demonstram-no há muito tempo.
Mais conversões
O DB6 Volante não foi o único veículo alvo de alterações para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Os veículos a gasóleo da frota real foram convertidos para funcionarem com biodiesel e nem o comboio da família real ficou de fora: deixou de usar gasóleo e passou a consumir óleo de fritar usado.
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