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KGM Musso: pick-up com bancos aquecidos e ventilados que quer ser alternativa aos SUV

Pick-up azul KGM Musso exposta em sala de venda moderna com grandes janelas e carro ao fundo.

Bancos aquecidos e ventilados numa pick-up? A KGM Musso recusa ser apenas uma «mula de carga» e quer posicionar-se como alternativa aos SUV.


Se pedirem a um português para definir a utilidade de uma pick-up, a resposta mais provável será simples: é um veículo para trabalhar. No entanto, fora da Europa percebe-se rapidamente que esta ideia não é universal. Em países como a Austrália, os EUA, a África do Sul, a Tailândia ou, bem mais perto de nós, a Turquia, muitas pick-up assumem o papel de carro principal - e por vezes único - em inúmeras famílias.

Nesse contexto, servem para tudo: levar os miúdos à escola, rebocar um barco ao fim de semana, transportar bicicletas nas férias e, claro, também trabalhar pelo caminho. É exatamente esta dualidade que está na base da nova KGM Musso. Já se notava na geração anterior, mas nesta geração 2027 da pick-up sul-coreana a ambição de ser um veículo mais familiar ficou ainda mais evidente.

Na prática, a Musso não pretende ser uma «mula de trabalho» ao estilo da Toyota Hilux ou da Isuzu D-Max (ainda que estas também estejam hoje mais polidas). E também não quer entrar diretamente no território de uma Ford Ranger ou de uma Volkswagen Amarok - até porque o posicionamento de preço não é o mesmo. O objetivo declarado pela marca é criar um espaço próprio, algures entre um SUV familiar e uma pick-up clássica.

Este primeiro contacto foi, infelizmente, demasiado curto, mas deu para perceber com clareza a direção deste projeto. A gama inclui ainda uma variante 100% elétrica, mas aqui o foco fica no «bom velho» Diesel.

Exterior. Mais SUV do que parece

Se a sigla KGM não vos soar familiar, talvez SsangYong vos diga alguma coisa. Trata-se do nome atual do quarto maior construtor automóvel da Coreia do Sul, que adotou a nova designação após ser adquirido pelo grupo KG Group em 2022 - se estavam a perguntar, o M vem de “Mobility”.

Apesar da mudança de nome, o fio condutor mantém-se. Desde os tempos da Korando Sports que a marca procura afastar-se da leitura tradicional da pick-up como simples ferramenta de carga, aproximando-a do conceito de «open-air SUV». Em português claro: a capacidade de transporte está lá, mas não é a única carta que este modelo quer jogar.

Essa intenção salta à vista no desenho. Nesta nova geração da KGM Musso, a frente ficou mais expressiva, a assinatura luminosa LED chama de imediato a atenção e o conjunto transmite uma sensação de maior sofisticação do que antes.

No balanço geral, a Musso parece-me mais equilibrada, mais coerente e mais apelativa - e precisa de o ser, porque é um dos pilares do portefólio da marca. Em Portugal, a KGM é representada pela Astara, importador da Kia e também da Mitsubishi no nosso mercado.

E o contexto competitivo não facilita: a incontornável Toyota Hilux foi atualizada e, além disso, chegam novas propostas até da China, como a Foton Tunland G7.

Boa surpresa no interior

Se houve um ponto em que a Musso me apanhou desprevenido, foi no habitáculo. O espaço a bordo é generoso, a sensação de conforto é convincente e há margem suficiente para quatro ou cinco adultos viajarem sem apertos.

O tabliê é dominado por dois ecrãs de 12,3″, a instrumentação digital lê-se bem e percebe-se uma tentativa clara de aproximar a experiência àquilo que hoje se espera num SUV. Aproximou-se, mas ainda não chegou ao mesmo nível.

O sistema de infoentretenimento acusa a idade, mas a lista de equipamento compensa: nas versões mais completas há bancos elétricos, aquecidos e ventilados. O ar condicionado é sempre de série e, entre a dotação disponível, nem falta uma base de carregamento por indução.

Naturalmente, não encontrei o mesmo cuidado de execução de uma Volkswagen Amarok ou de uma Ford Ranger. Os materiais são mais simples e alguns comandos revelam uma abordagem de custo mais controlada. A chave está mesmo aí: não custa o mesmo. Ainda assim, nada parece frágil ou dececionante.

Convém ter isto presente ao longo de todo o ensaio. A Grand Musso, com caixa de carga longa e um caráter mais profissional, começa nos 31 707 euros + IVA para empresas. Já a Musso Raider, mais equipada e orientada para lazer, arranca nos 34 715 euros + IVA (nas versões de três lugares). As versões de cinco lugares - como explicarei mais à frente - e destinadas a clientes particulares ultrapassam a fasquia dos 50 mil euros.

Dito isto, dentro do seu posicionamento, a combinação de espaço, conforto e equipamento é, no mínimo, bastante convincente. Não podemos querer sol na eira e chuva no nabal.

Como referi, bancos aquecidos e ventilados, climatização automática bizona, câmaras de estacionamento, Apple CarPlay e Android Auto, além de um pacote completo de assistências à condução, ajudam a consolidar essa perceção.

Uma boa companheira em estrada

Quem conduz pick-ups tradicionais conhece bem o guião: traseira seca, reações bruscas em piso degradado e a sensação constante de que o chassis foi pensado para carga muito antes de ter em conta o conforto.

Esta KGM Musso Diesel foge a esse padrão. Não se confunde com um SUV, mas também não é uma pick-up complicada de usar no dia a dia. A principal razão está na suspensão traseira multilink de cinco braços - uma solução mais habitual em SUV com apetência fora de estrada do que em pick-ups mais convencionais - e que explica grande parte do que senti ao volante.

Há, ainda assim, algum adornar da carroçaria; a direção continua a denunciar as limitações típicas de um chassis de longarinas; e nunca esquecemos que estamos numa pick-up com mais de cinco metros de comprimento. Ao mesmo tempo, percebe-se que a afinação foi pensada para quem passa muito mais tempo em asfalto do que numa pedreira.

Sob o capô está o conhecido Diesel 2,2 litros de quatro cilindros, com 202 cv e 441 Nm de binário, ligado a uma caixa automática Aisin de seis velocidades. Não é particularmente rápida a trocar de relação, nem se destaca por requinte. Uma Amarok ou uma Ranger continuam a oferecer transmissões mais evoluídas e agradáveis.

Mas, novamente, é importante calibrar expectativas. A resposta é competente, o motor mostra disponibilidade nos regimes mais usados e o refinamento global ficou acima do que eu antecipava - sobretudo quando volto a colocar o preço na equação.

Infelizmente, este contacto inicial não deu margem para medir consumos com rigor. A passagem fora de estrada também foi curta, apesar de as primeiras impressões terem sido positivas. Num ensaio mais prolongado ficará a oportunidade de perceber até que ponto esta faceta mais familiar compromete (ou não…) as aptidões fora de estrada.

Os preços para Portugal

Em Portugal, tanto a Grand Musso como a Musso Raider estarão disponíveis com três ou cinco lugares, e com opção entre caixa manual ou automática.

Para empresas, a Grand Musso (a variante de trabalho com caixa de carga longa) começa nos 31 707 euros + IVA. Já a Musso Raider, mais equipada e direcionada para lazer, inicia-se nos 34 715 euros + IVA.

Nas versões homologadas com três lugares, a Musso enquadra-se como veículo de mercadorias, o que normalmente permite uma fiscalidade mais favorável para empresas e profissionais - podendo traduzir-se num benefício direto que pode superar os 7000 euros em ISV.

Por outro lado, as versões de cinco lugares dão prioridade à versatilidade e a uma utilização mais familiar, aproximando-se da lógica de um SUV convencional, embora com um enquadramento fiscal potencialmente menos vantajoso. No nível de equipamento mais elevado, o valor ascende aos 50 mil euros.

Veredito

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