As 24 Horas de Super Taikyu, no Japão, voltaram a ser o cenário escolhido pela Toyota para mostrar algumas das tecnologias e linhas de desenvolvimento em curso. Entre tudo o que foi apresentado, houve um protótipo que acabou por concentrar as atenções.
À primeira vista, parece “apenas” um Toyota Camry levado ao extremo: vias mais largas, carroçaria alargada e um kit aerodinâmico ao nível de um automóvel de competição. No entanto, um olhar mais atento revela que este exemplar esconde algo bem mais fora do comum.
O detalhe decisivo está na mecânica: este Camry recorre a dois motores. Só que, ao contrário do que se tornou frequente em soluções 100% elétricas, aqui falamos de um protótipo com arquitetura exclusivamente a combustão.
Toyota Camry: um protótipo com dois motores
A lógica é mais simples do que parece: em vez de um conjunto híbrido, a Toyota optou por separar funções e colocar um motor dedicado a cada eixo.
Um motor por eixo
Na dianteira encontra-se o conhecido G16E-GTS, um motor turbo de 1,6 litros e três cilindros. É o mesmo bloco utilizado no GR Yaris e também nos Toyota GR Corolla e Lexus LBX Morizo RR (ambos vendidos fora do mercado europeu), com valores de potência situados entre os 280 cv e os 300 cv.
A diferença está na forma como essa força é aplicada ao chão. Enquanto nesses modelos a potência chega às quatro rodas através do sistema de tração integral GR-Four da Toyota, neste Camry o G16E-GTS alimenta apenas o eixo dianteiro.
O elemento inesperado está atrás. No espaço onde, em condições normais, estariam os bancos traseiros, a Toyota montou o motor G20E, um turbo de 2,0 litros e quatro cilindros pensado para equipar futuros modelos da Gazoo Racing.
Revelado pela primeira vez no início deste ano, este «supermotor» é apontado como o sucessor espiritual do atual três cilindros da Gazoo Racing e deverá disponibilizar cerca de 400 cv - podendo esse valor ser superior quando aplicado a modelos de competição.
Neste protótipo, a marca não divulgou números oficiais. Ainda assim, assumindo o valor anunciado de 400 cv, a conta é direta: aproximadamente 300 cv à frente e 400 cv atrás colocam a potência combinada na ordem dos 700 cv.
Laboratório sobre rodas
Apesar de a Toyota ter sido discreta nos dados técnicos, não se trata de um automóvel pensado para produção. É, antes, um exercício de engenharia desenvolvido pela divisão desportiva do construtor japonês, que funciona ao mesmo tempo como montra tecnológica e como banco de ensaios para futuras soluções mecânicas.
G20E e o futuro da Toyota Gazoo Racing
Mais relevante do que o Camry em si é o que ele transporta “por dentro”. O novo G20E surge como uma das peças centrais da estratégia futura da Toyota Gazoo Racing e deverá estar na base de uma nova geração de desportivos. Um exemplo é o futuro Toyota MR2, que promete manter a receita do original: motor em posição central traseira e potência enviada exclusivamente para o eixo posterior.
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