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Porsche 718 GT4 e-Performance: o Mission R Concept torna-se realidade

Carro desportivo branco Porsche Mission R estacionado em interior moderno com grande janelas e postes de carregamento.

Ainda se lembram do Mission R Concept? O Porsche 718 GT4 e-Performance que aqui apresentamos transforma em realidade todo o potencial que aquele protótipo deixava antever.

Tivemos oportunidade de o experimentar e, na primeira pessoa, perceber aquilo que este «super elétrico» é capaz de entregar. E sim: impressiona.

O primeiro contacto aconteceu em Itália, no Centro Porsche de Franciacorta, durante a apresentação mundial do 99X Electric - o monolugar de António Félix da Costa na Fórmula E. Foi aí que conhecemos este elétrico que, por agora, continua a ser sobretudo um laboratório de tecnologias com rodas.

Ainda assim, não se trata de um exercício incompleto: está 100% operacional. A base é o chassis de um 718 Cayman GT4 Clubsport, profundamente modificado para receber os dois motores elétricos do Mission R Concept - um em cada eixo - o que faz deste o primeiro Cayman de sempre com tração integral.

Esta conversão, como devem calcular, foi tudo menos simples: a Porsche teve de desenvolver cerca de 6000 novos componentes para «dar vida» a este protótipo 100% elétrico.

A acompanhar os motores, chegou também a arquitetura de 900 V e o conjunto de baterias do Mission R, com 80 kWh de capacidade (dos quais 65 kWh úteis). Para otimizar a repartição de massas entre os eixos, a bateria teve de ser distribuída por três zonas distintas: à frente, atrás e junto ao condutor.

Pico de potência superior a 1000 cv. Que loucura!

Quanto aos motores, a potência máxima atinge 800 kW, ou 1088 cv (!), em modo de qualificação. Já em modo corrida, o limite fica nos 450 kW, ou 612 cv, com energia suficiente para suportar 30 minutos de andamento - precisamente a duração típica de uma corrida da Carrera Cup.

Em qualquer um dos modos, e depois de um breve contacto em circuito (infelizmente sempre no lugar do acompanhante), com a suíça Simona De Silvestro - piloto de testes da Porsche na Fórmula E - ao volante, a sensação é clara: a aceleração é desconcertante.

Cada pedido de aceleração total chega de imediato, como um murro no estômago, a colar-nos aos bancos concha de competição.

A Porsche não divulga números oficiais de desempenho para este 718 GT4 e-Performance, mas o Mission R Concept, por exemplo, anunciava um arranque dos 0 aos 100 km/h em menos de 2,5s.

Também merece destaque a capacidade de gerar aderência lateral em pista. Segundo a Porsche, isto traduz-se em tempos por volta superiores aos do 911 GT3 Cup da geração atual - mesmo sabendo que este 718 GT4 e-Performance pesa 1550 kg, face aos 1200 kg do 911 GT3 Cup.

Para isso, ajuda o facto de este protótipo assentar de forma exemplar no asfalto: tem apenas 1,23 m de altura e mede 1,95 m de largura (mais 14 cm do que o 718 Cayman GT4 Clubsport).

Aerodinâmica teve ajuda especial

A isto soma-se uma aerodinâmica extrema, muito próxima da que se vê no 911 RSR. No entanto, no difusor traseiro a Porsche foi ainda mais ambiciosa e recorreu ao apoio dos engenheiros responsáveis pela aerodinâmica do 963 que vai competir no Campeonato do Mundo de Resistência (WEC).

Como seria de esperar, este protótipo elétrico não ignora a vertente ambiental. Na carroçaria, recorre a materiais compósitos com fibras naturais, considerados mais sustentáveis do que os materiais convencionais.

Já os pneus, desenvolvidos pela Michelin, utilizam uma composição com 53% de materiais sustentáveis, que podem depois ser reciclados.

O Porsche 718 GT4 e-Performance tem futuro?

A resposta é um claro sim. Tal como referi acima, por enquanto este modelo é sobretudo um laboratório de ideias e soluções técnicas. Ainda assim, num futuro muito próximo, deverá dar origem a um troféu monomarca 100% elétrico, a disputar em paralelo com a Carrera Cup.

Além disso, muita da informação recolhida por este protótipo servirá de base à próxima geração do Porsche 718 Boxster e 718 Cayman - que, como já devem ter percebido, será exclusivamente elétrica. Chegam em 2025.

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