A ACAP (Associação do Comércio Automóvel de Portugal) divulgou ontem, 15 de fevereiro, o balanço anual do mercado automóvel nacional, com indicadores pouco animadores.
Diagnóstico da ACAP sobre o parque automóvel nacional
Os dados apresentados apontam, desde logo, para um envelhecimento contínuo do parque automóvel em Portugal. Em 2022, a idade média dos ligeiros de passageiros em circulação atingiu os 13,4 anos. Já nos ligeiros de mercadorias e nos veículos pesados - precisamente os que mais quilómetros acumulam todos os anos - a média chega aos 15 anos.
Com base em números de 2021, a ACAP refere que, entre os 5,6 milhões de carros em circulação, 63% tinham mais de 10 anos, um quadro que, segundo a associação, não deverá ter melhorado em 2022.
A situação torna-se ainda mais expressiva quando se olha para os veículos mais antigos: os automóveis com mais de 20 anos representam 26% dos veículos em circulação, o equivalente a 1,5 milhões de automóveis. Para comparação, no ano 2000 esta fatia não ultrapassava 1%.
Outro sinal da falta de renovação é a idade média dos veículos entregues para abate. Se em 2006 esse valor era de 16 anos, em 2021 subiu para os 23,5 anos.
Importados com cada vez mais «peso»
Para a ACAP, um dos fatores que tem contribuído para o aumento da idade média dos automóveis no país é a importação de veículos usados.
A associação revelou que, em 2022, foram matriculados em Portugal 104 908 veículos ligeiros de passageiros usados importados. Este total, considerado elevado, correspondeu a 67,1% (mais de dois terços) das matrículas novas atribuídas no ano passado.
Ainda assim, o aspeto que mais inquieta a ACAP é a idade média de sete anos dos mais de 100 mil veículos usados importados.
“A primeira preocupação que temos é ambiental. Se um carro que está a entrar tem sete anos, venha de onde venha, está a aumentar as emissões no país”.
Pablo Puey, presidente do Conselho Estratégico dos Construtores de Automóveis da ACAP
Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, salientou também que a quota de 67,1% registada em 2022 representa um crescimento muito acentuado face ao padrão habitual, em que os usados importados correspondiam a cerca de 20-25% das novas matrículas.
Há solução?
Na conferência de imprensa, a ACAP não se ficou por identificar problemas e avançou com várias propostas para contrariar a tendência de envelhecimento.
Uma das medidas defendidas passa pela reintrodução, em Portugal, de mecanismos de incentivo ao abate de veículos em fim de vida, com o objetivo de acelerar a renovação do parque automóvel.
A associação recorda, aliás, que o Acordo de Melhoria de Rendimentos prevê a implementação de um plano de abate de automóveis em fim de vida e que o Orçamento do Estado para 2023 contempla a criação de um mecanismo que promova a renovação do parque automóvel.
Infraestrutura de carregamento e eletrificação
Para além disso, a ACAP voltou a sublinhar a importância de reforçar o investimento no desenvolvimento da infraestrutura de carregamento, de forma a suportar e acompanhar a eletrificação do parque automóvel.
De notar que, em 2022, as vendas de automóveis 100% elétricos representaram 11% do total das vendas, com forte tendência de crescimento nos próximos anos.
Peso do setor automóvel na economia
No entendimento da associação, medidas de incentivo à renovação e de apoio à eletrificação são determinantes para sustentar um setor que, em 2021, gerou 4,4 mil milhões de euros de riqueza, registou um volume de exportações superior a oito mil milhões de euros e integra quase 24 mil empresas, responsáveis por mais de 150 mil postos de trabalho.
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