Um Gullwing improvável da Mercedes-Benz
Basta surgir a palavra Gullwing (asas de gaivota) para a ligação mental ser quase imediata: Mercedes-Benz, o lendário 300 SL dos anos 50 e, já em tempos mais recentes, os SLR e SLS.
No entanto, o “asas de gaivota” que vai aparecer no próximo leilão da RM Sotheby’s - marcado já para amanhã, 25 de novembro, em Munique - continua a ser um Mercedes, mas é também um caso estranho: uma autêntica mixórdia de vários modelos da marca.
Como nasceu o Boschert B300
Tal como Victor Frankenstein recorreu a uma fórmula pouco ortodoxa para dar vida ao seu «monstro», Hartmut Boschert pegou num Mercedes-Benz 300 CE (C 124) e deu-lhe forma de algo que ainda hoje baralha quem o vê.
Na traseira, o parentesco com o coupé alemão é imediato. Já a dianteira faz lembrar um SL (R 129) sem grande esforço. E, para elevar ainda mais a confusão, o acesso ao habitáculo faz-se por duas enormes portas de abertura “asa de gaivota”, ao estilo de um Gullwing icónico.
Apesar de o ponto de partida ter sido, de facto, um 300 CE, toda a estrutura na secção frontal foi retrabalhada para aceitar a frente do descapotável SL. Atrás, o pilar C avançou cerca de 25 cm e a parte inferior das soleiras recebeu reforços significativos, condição essencial para instalar as portas gigantes com 1,66 m de largura.
Por dentro, também houve alterações: foram montados os bancos dianteiros do SL e o interior passou a exibir um tom púrpura dominante. No exterior, a carroçaria abandonou o cinzento prateado original e adotou um Bornite mais exclusivo.
Mecânica: seis cilindros e dois turbos
No capítulo do motor, o seis cilindros em linha original, com 3,0 l de cilindrada, ganhou dois turbocompressores. O resultado foi uma subida de potência dos 217 cv de origem para uns mais expressivos 283 cv.
Boschert B300 disponível para venda
A estreia oficial do projeto aconteceu no Salão de Frankfurt de 1989, com a intenção inicial de avançar para uma produção na ordem das 300 unidades. Na prática, este objeto peculiar não reuniu apoio suficiente: foram construídas apenas meia dúzia, e dessas só uma recebeu as portas “asas de gaivota”.
É precisamente essa unidade única no mundo que vai a leilão amanhã, 25 de novembro. De acordo com a RM Sotheby’s, o valor de venda deverá situar-se entre os 250 mil e os 300 mil euros.
O Boschert B300 apresenta, no geral, um estado de conservação muito bom. Mesmo tendo passado largos anos relativamente esquecido, o atual proprietário comprou-o em 2005 e tem tratado esta peça única com bastante cuidado.
Ainda este ano, o carro recebeu pintura nova, uma renovação dos revestimentos do habitáculo e várias outras intervenções que o deixaram praticamente como novo. Quanto ao desgaste, há pouco a apontar: a instrumentação indica uma utilização que não chega aos 40 mil quilómetros desde o final dos anos 80.
A acompanhar o Boschert B300 segue também todo o historial do seu desenvolvimento, além de catálogos, recortes de imprensa e… algumas cassetes VHS. Há ainda extras como um volante em madeira, um telefone fixo para o interior e uma capa de proteção para este modelo tão exclusivo.
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