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Mesmo com «100% de segurança», as pessoas escolhem um condutor - o mercado dos transportes autónomos esbarra na confiança, não na tecnologia

Mulher jovem verifica o telemóvel e segura papel, parada entre um carro elétrico branco e um táxi amarelo na rua.

Resultados do inquérito do Electric Vehicle Intelligence Report

Um novo inquérito do grupo de pesquisa de mercado e análise de atitudes dos consumidores e da opinião pública sobre veículos eléctricos (EV), o Electric Vehicle Intelligence Report, indica que a maioria dos norte-americanos continua a olhar para os robotáxis com desconfiança. O estudo, realizado no fim de março junto de 2081 respondentes nos EUA, concluiu que 53% não estão dispostos a utilizar robotáxi e que outros 26% dizem, para já, não considerar essa hipótese.

Mais de um terço dos inquiridos referiu ainda que não utiliza táxis, serviços de viagens partilhadas nem robotáxis - e que também não tenciona passar a fazê-lo.

Mesmo com «100% de segurança», a preferência vai para um condutor

A resistência mantém-se mesmo num cenário idealizado: perante a condição de que «a tecnologia de robotáxi será 100% segura», 42% afirmaram que, mesmo assim, recusariam a viagem, enquanto 22% disseram não estar preparados para considerar esse meio de transporte.

Quando a escolha é directa entre um «robotáxi 100% seguro» e um táxi com condutor, apenas 12% optariam pelo robotáxi. Em contraste, 56% prefeririam ser transportados por um humano ao volante.

Descontos têm pouco efeito na disposição para usar robotáxi

O preço, por si só, quase não altera a posição dos consumidores. Perante a oferta de um desconto de $5 numa viagem em robotáxi, só 19% escolheriam essa opção, ao passo que 48% continuariam a preferir o táxi com condutor, mesmo sendo mais caro. Um terço dos participantes optou por não responder a esta questão.

O inquérito também apurou que 32% dos respondentes garantem que não existe qualquer quantia que os levasse a entrar num robotáxi. No extremo oposto, apenas 5% dizem estar prontos para usar robotáxi já hoje.

Incidentes e marketing agravam o cepticismo: Waymo e Tesla

A desconfiança em relação aos veículos autónomos é reforçada por incidentes associados a robotáxis. Entre os exemplos apontados estão problemas com carros da Waymo, como passarem por autocarros escolares parados durante a saída de crianças - em vez de pararem atrás e aguardarem.

A Tesla também enfrenta dúvidas junto do público. Segundo o inquérito, 81% concordaram com a decisão judicial de que o uso dos termos "Autopilot" e "Full Self-Driving" no marketing da Tesla é enganador. Além disso, 63% acreditam que condutores de Tesla deixam de vigiar a estrada quando recorrem a essas funcionalidades, e 32% dizem que a tecnologia FSD torna os condutores menos atentos.

As perspectivas sobre um robotáxi Tesla são igualmente negativas. 87% mostram-se preocupados com a segurança, 72% afirmam que isso reduz a confiança na empresa e 69% referem que tal os torna menos propensos a considerar uma viagem num robotáxi da marca. Adicionalmente, 84% declararam estar insatisfeitos com a decisão da Tesla de retirar operadores humanos de segurança dos seus robotáxis, e 81% defendem que estas viagens não deveriam ser permitidas sem a presença de um operador.

Perante este cenário, apesar do avanço tecnológico, a percepção pública continua marcadamente céptica em relação aos robotáxis, o que cria obstáculos significativos para as empresas que tentam conquistar a confiança dos consumidores.

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