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Vendas de elétricos na Alemanha caem 27,4% em 2024 e Reino Unido ultrapassa

Carro elétrico desportivo azul num showroom moderno com janelas grandes ao pôr do sol.

O mercado de automóveis elétricos registou um recuo acentuado em vários países europeus ao longo de 2024 - mas Portugal seguiu na direção contrária. Nem a Alemanha, o maior mercado automóvel da Europa, conseguiu fugir a esta tendência, de acordo com números da KBA (Autoridade Federal Alemã de Transportes).

Em 2024, foram comercializados apenas 380 609 elétricos na Alemanha. Isto traduz-se numa quebra de 27,4% face a 2023, ano em que tinham sido vendidas 524 219 unidades. Em consequência, a quota de mercado dos elétricos desceu de 18,4% para 13,5%.

Entretanto, este abrandamento nos elétricos foi, em parte, contrabalançado pelo crescimento de outras motorizações. Os automóveis a gasolina aumentaram 1,4% e chegaram a uma quota de 35,2% (acima dos 34,4% observados em 2023).

Já os Diesel parecem ter estabilizado, com uma variação pouco relevante: recuaram 0,7% e terminaram o ano com 17,8% de quota, isto é, 4% acima dos elétricos.

Mais à frente explicamos as razões por detrás destas oscilações, que já tinham sido antecipadas no podcast Auto Rádio pela equipa da Razão Automóvel. Podem rever esse episódio no nosso Spotify e Youtube.

Resiliência na eletrificação

Apesar do recuo nos elétricos, os restantes modelos eletrificados mostraram-se mais resistentes. As vendas de híbridos convencionais (sem ligação à corrente) cresceram 12,7%, enquanto os híbridos plug-in avançaram 9,2%, atingindo quotas de 33,6% e 6,8%, respetivamente.

A descida da procura por automóveis elétricos teve também reflexo direto nas emissões médias de CO2 dos veículos novos. Em 2024, essas emissões aumentaram 4,2%, fixando-se em 119,8 g/km (quando em 2023 estavam nos 114,9 g/km).

Incentivos acabam, vendas sofrem

Entre os fatores que ajudam a justificar a quebra nas vendas de elétricos na Alemanha está o fim dos incentivos à compra. Até dezembro de 2023, os apoios para particulares eram de 4500 euros, e os construtores recebiam 2550 euros por unidades vendida. Contudo, no arranque de 2024, o governo alemão optou por eliminar estes incentivos.

Segundo o ministro dos transportes, Volker Wissing, o objetivo de terminar os apoios passava por «testar» o mercado dos elétricos, percebendo se conseguiria manter-se competitivo sem suporte estatal. Ainda assim, a decisão coincidiu com um ano particularmente exigente para a indústria automóvel alemã e europeia: o mercado total contraiu cerca de 1%, com 2,8 milhões de automóveis vendidos no conjunto do ano.

Depois de um ano com sinais preocupantes no processo de eletrificação, existem indícios de que os apoios aos elétricos possam regressar em 2025. No final de fevereiro será eleito um novo governo na Alemanha, e o chanceler Olaf Scholz já apontou a possibilidade de criar um novo programa de apoio a nível europeu.

Novo líder de mercado?

Com a retração do mercado alemão de elétricos, a liderança da Alemanha enquanto principal mercado europeu deste tipo de automóveis pode ficar em risco.

Em 2024, o Reino Unido vendeu mais unidades do que o país germânico: 381 970 unidades contra 380 609. E, no caso britânico, as vendas de elétricos subiram 21%, segundo a SMMT (Sociedade de Fabricantes e Comerciantes Automóveis britânica).

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