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Mercedes-Benz e Volvo criam agrupamento de emissões de CO2 para 2025

Concessionária com carros de luxo estacionados, destaque para Mercedes prata e Volvo branco.

Depois de vários construtores terem sinalizado a intenção de se «juntarem» à Tesla para a contabilização das emissões de CO2 em 2025, surge agora um novo movimento semelhante: a Mercedes-Benz quer fazer as contas em conjunto, mas desta vez com a Volvo.

Agrupamento de emissões Mercedes-Benz–Volvo

A escolha da marca sueca é, à partida, fácil de compreender. Desde logo, a Volvo encontra-se já bastante abaixo da sua própria meta de emissões, o que lhe dá margem para acumular créditos de carbono e colocá-los à venda.

Há ainda um enquadramento accionista e industrial que aproxima as duas partes. A Volvo integra o grupo Geely (onde está também a Polestar), conglomerado com o qual a Mercedes-Benz divide em partes iguais a Smart. Além disso, Li Shufu, o responsável máximo da Geely, é um dos maiores accionistas individuais do fabricante alemão, com 9,69%.

“Nós vamos ter um excedente significativo de CO2 e pretendemos vender as nossas emissões excedentes através de agrupamentos de emissões, que nos vão permitir ganhar receitas e recompensar os nossos esforços e bom desempenho.”

Porta-voz da Volvo

Este novo agrupamento de emissões entre a Mercedes-Benz e a Volvo (bem como as restantes marcas da Geely comercializadas na Europa) é o segundo anunciado este ano e deverá manter-se aberto à entrada de novos candidatos até 7 de fevereiro.

No final do ano passado, a Suzuki - também em risco de não cumprir - revelou um entendimento separado com a Volvo, tirando igualmente partido dos créditos excedentários do construtor sueco.

Metas de emissões

Até ao final de 2025, o sector automóvel terá de cortar em 15% as emissões de CO2 face a 2021, o que corresponde a uma média de 93,6 g/km (WLTP). Este objectivo coloca diversos fabricantes sob risco de incumprimento. Explicamos tudo o que está em causa no episódio n.º 71 do Auto Rádio:

Se não cumprirem, os construtores terão de desembolsar 95 euros por cada automóvel e por cada grama de CO2 acima do tecto definido pela União Europeia (UE). Perante este cenário, multiplicam-se as marcas que procuram entendimentos.

Segundo a ACEA (Associação Europeia de Fabricantes Automóveis), as coimas associadas ao incumprimento das novas regras de emissões poderão chegar aos 15 mil milhões de euros.

Como funcionam os agrupamentos de emissões na UE

Os agrupamentos de emissões são um instrumento previsto pela UE para facilitar o cumprimento das metas e, ao mesmo tempo, evitar multas muito elevadas.

Na prática, um construtor que esteja em risco de falhar o objectivo pode associar-se a outro que esteja folgado, passando as emissões de ambos a ser apuradas em conjunto.

Não é um mecanismo novo: já em 2020/2021 houve exemplos relevantes. O caso mais mediático foi o da antiga FCA (Fiat Chrysler Automobiles), que se associou à Tesla para efeitos de contabilização. O montante pago pela primeira à segunda serviu para financiar a construção da fábrica da Tesla na Alemanha.

Fonte: Notícias Automóveis Europa

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