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Testes Euro NCAP: ADAS, Dacia Bigster, Kia EV3 e o impacto do peso em colisões

Carro eléctrico SUV azul exibido num salão moderno com parede de vidro e chaise longue castanha ao fundo.

Há duas conclusões claras a retirar da mais recente bateria de testes do Euro NCAP: a influência crescente dos assistentes à condução na nota final (os ADAS) e a forma como o peso e as dimensões dos automóveis podem afetar a compatibilidade entre veículos quando ocorre uma colisão.

Modelos avaliados nesta ronda do Euro NCAP

Nesta ronda, o Euro NCAP colocou 16 modelos à prova, incluindo várias estreias recentes no mercado, como o Dacia Bigster, o Kia EV3 e o Renault 4 elétrico.

Analisar um a um seria pouco prático, mas há resultados que sobressaem: as três estrelas do Dacia Bigster, as quatro estrelas atribuídas a alguns modelos franceses e, ainda, o caso particular do Kia EV3, que recebeu duas classificações distintas consoante o nível de equipamento de segurança.

Dacia Bigster: três estrelas e a estratégia de equipamentos

No Dacia Bigster, as três estrelas acabam por espelhar a abordagem do construtor à segurança. Por um lado, a marca sublinha que todos os seus modelos cumprem os regulamentos mais recentes e exigentes da União Europeia (GSR2), plenamente aplicados a partir de julho de 2024.

Em paralelo, a Dacia defende que os padrões mais elevados de entidades independentes como o Euro NCAP - que não têm caráter legal obrigatório - não estão alinhados com aquilo que muitos consumidores esperam e acabam por empurrar os custos dos automóveis para cima.

Para manter os preços reduzidos pelos quais é conhecida, mesmo no Bigster (o maior Dacia de sempre), alguns destes equipamentos acabam por não estar presentes, o que penaliza diretamente o resultado no Euro NCAP. Não será por isso surpreendente que a pontuação em Assistência à Segurança (segurança ativa) tenha ficado nos 57%.

Ainda assim, a prestação do Bigster na Proteção de Adultos - nos ensaios de colisão - também ficou aquém em determinados testes. Esta limitação é, em parte, explicada pela falta de alguns dispositivos, como um airbag central entre os ocupantes dianteiros.

Segurança ativa (ADAS) é crucial para as cinco estrelas

O peso da área de Assistência à Segurança na classificação global nota-se igualmente nos franceses Peugeot 3008 e 5008, no Renault 4 E-Tech e no sul-coreano Kia EV3.

Todos obtiveram quatro estrelas e foi precisamente nesta componente que registaram a avaliação mais baixa - nas restantes áreas, os resultados foram globalmente bastante favoráveis.

No Kia EV3, esta influência fica especialmente evidente por existir uma dupla avaliação: com e sem o pacote opcional de ADAS (Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor). A presença (ou ausência) desse conjunto de equipamentos fez a pontuação nesta área subir de 67% para 78%, permitindo ao modelo passar de quatro para cinco estrelas.

O teste que preocupa o Euro NCAP

Apesar destas notas e diferenças entre versões, o balanço desta ronda de testes do Euro NCAP foi, no geral, positivo. Ainda assim, há uma tendência que começa a ganhar expressão e que está a inquietar o Euro NCAP: a incompatibilidade crescente entre veículos em colisões frontais.

Em parte, este fenómeno está ligado à evolução do mercado para automóveis cada vez maiores e mais pesados - impulsionada pela popularização dos SUV e pela eletrificação. Nos últimos 10 anos, o peso médio dos veículos novos aumentou 100 kg e é esperado que continue a crescer nos próximos anos (fonte: Green NCAP).

Na prática, isto significa que, numa colisão frontal parcial (50%) - o tipo de embate entre veículos mais comum - quando dois veículos colidem, o automóvel mais leve pode sofrer consequências mais graves. O Euro NCAP já identificou situações específicas em que esta incompatibilidade se torna particularmente severa - tema ao qual voltará mais tarde com maior detalhe.

O Dr. Aled Williams, diretor do programa Euro NCAP, comentou que sabe que “os construtores têm a capacidade de conceber estruturas frontais que podem gerir melhor as proporções e massa do veículo e a mudança violenta do momento que acontece numa colisão frontal”.

Por agora, o Euro NCAP irá continuar a acompanhar esta evolução antes de recomendar ou propor medidas mais concretas.

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