Parece simples, mas na prática costuma trazer stress, despesas e alguns riscos.
As correntes de neve são frequentemente tratadas como equipamento obrigatório para férias de inverno na montanha. Dão uma sensação de segurança, são exigidas em muitas estradas alpinas e aparecem na publicidade como se resolvessem tudo em poucos minutos. No entanto, quem já tentou montá-las à beira da estrada com temperaturas negativas sabe bem que há um lado bem menos “brilhante”. Há desvantagens que raramente são explicadas no momento da compra - e que acabam por apanhar muitos condutores desprevenidos.
Montagem na neve: prova de paciência, não um gesto automático
Nos catálogos, as correntes parecem um produto de “encaixar e seguir”. Num parque de estacionamento à noite, com nevão e cerca de -10 °C, o cenário muda por completo. A maioria dos condutores coloca correntes poucas vezes, pelo que a falta de prática é comum. E é precisamente nessas condições que se percebe como o processo pode ser exigente.
- dedos gelados e rígidos, mesmo com luvas
- roupa encharcada, por se ficar ajoelhado na neve ao lado do carro
- pouco espaço na berma, muitas vezes com trânsito a passar depressa
- pressão adicional, porque começam a formar-se carros atrás
Consoante o sistema, pode ser necessário passar a corrente por trás da roda, tensionar e, após alguns metros, voltar a apertar. Em muitos modelos, o carro tem de avançar um pouco depois de uma curta deslocação para assentar a corrente e colocá-la na posição final correcta. Numa estrada de montanha estreita e escorregadia, isto está longe de ser confortável - e pode mesmo tornar-se um risco de segurança.
"Quem experimenta correntes de neve pela primeira vez apenas numa emergência tem uma grande probabilidade de ficar a tremer, a praguejar e inseguro no meio de uma tempestade de neve."
Compatibilidade: nem todas as correntes de neve servem em todos os carros
É habitual ouvir falar em soluções “universais”. Na realidade, a compatibilidade não está assegurada. Os automóveis mais recentes, com jantes maiores, pneus largos ou caixas de roda muito apertadas, são particularmente problemáticos.
Entraves típicos:
- espaço insuficiente entre o pneu e o amortecedor ou a carroçaria
- risco de os elos roçarem em mangueiras de travão ou sensores
- interferência em sistemas de assistência como ABS ou ESP devido a vibrações e aderência irregular
Alguns fabricantes excluem expressamente o uso de correntes tradicionais para determinados tamanhos de pneu. Se isso estiver indicado no manual, não serve de muito o argumento de vendedor do tipo “isso cabe, muita gente leva”. E se só no destino de férias se descobrir que não dá para montar, no pior cenário fica-se com um conjunto caro e inútil de metal no porta-bagagens.
Conduzir com correntes: aos solavancos, ruidoso e devagar
Depois de finalmente montadas, surge a próxima desilusão: a condução muda de forma evidente. O carro vibra, sente-se o bater, e o volante treme. Sobretudo quando há apenas manchas de neve e, pelo meio, aparece asfalto limpo, cada rotação da roda pode parecer um impacto.
A isto juntam-se limites de velocidade muito rigorosos. Dependendo do fabricante, é comum encontrar:
- máximo de 30 km/h em muitas correntes clássicas de aço
- até 50 km/h em sistemas de montagem rápida de qualidade superior
Ir além disso não é opção - caso contrário, aumentam as probabilidades de danos na corrente e no veículo. Quem acredita que com correntes “ainda dá para ir depressa” pelos Alpes está enganado. As distâncias parecem mais longas, ultrapassar torna-se quase impossível, e cada troço parcialmente limpo fica desnecessariamente áspero.
Durabilidade limitada: o aço não perdoa o asfalto
À primeira vista, as correntes parecem robustas e quase indestrutíveis. Na prática, aguentam menos do que se imagina - pelo menos quando não circulam quase sempre sobre neve contínua. Cada metro em asfalto descoberto acelera o desgaste.
"As correntes de aço foram feitas para a neve, não para roçar continuamente em asfalto de inverno áspero com gravilha."
Quem se esquece de as retirar a tempo percebe rapidamente:
- elos achatados ou partidos
- ligações a afrouxar, que exigem ajuste ou substituição
- início de ferrugem quando as correntes vão molhadas e com sal para o porta-bagagens
O que parecia uma compra única transforma-se num consumível. E os modelos mais baratos, em particular, podem ceder mais cedo do que o esperado - comprar um conjunto de substituição a meio de umas férias de ski pesa na carteira.
Risco para pneus, jantes e suspensão
Há ainda um ponto que raramente aparece nos folhetos: correntes mal montadas ou pouco tensionadas podem causar danos significativos. Se uma corrente solta bate a cada volta da roda na lateral do pneu, na jante ou no cubo, o resultado não demora a aparecer.
Possíveis consequências:
- flancos do pneu rasgados
- jantes de liga leve riscadas ou empenadas
- danos nas cavas das rodas e em revestimentos plásticos
- esforço acrescido em amortecedores e componentes do eixo devido a pancadas secas
Mesmo quando bem colocadas, as correntes podem criar problemas se forem mantidas em troços longos já limpos: batem no asfalto, saltam e transmitem impactos à suspensão. Em algumas regiões, podem ainda existir multas por circular com correntes em piso sem neve, pois contribuem para danificar a estrada.
“Meias” para neve: alternativa cómoda, mas com limitações
Têm ganho popularidade as “meias” têxteis para neve. São feitas de tecido resistente, colocam-se como uma capa sobre o pneu e prometem melhorar a tracção na neve. O grande trunfo é a facilidade: montam-se muito mais depressa, costumam funcionar mesmo com caixas de roda apertadas e tendem a proteger jantes e carroçaria.
O lado menos favorável é que o campo de utilização é bem definido - e relativamente estreito:
- funcionam bem em neve compacta
- perdem muita eficácia em lama (neve derretida) ou em placas de gelo
- desgastam-se em asfalto ainda mais depressa do que correntes metálicas
Muitos modelos servem sobretudo como ajuda de emergência. Quem passa com frequência por passos alpinos com neve profunda, ou reboca atrelados pesados, muitas vezes não consegue evitar as correntes clássicas.
Como escolher a solução certa
Quem vai para a serra no inverno não deve deixar estas decisões para o momento em que já está no meio de um monte de neve. O manual do veículo indica que tamanhos de pneu estão homologados para correntes - e se, por exemplo, só é permitido equipar determinados eixos.
Também faz sentido ver diferentes sistemas numa loja especializada e pedir que expliquem a montagem passo a passo. Melhor ainda: treinar em casa, de dia e numa entrada seca, incluindo o reaperto após alguns metros. Só aí muitos percebem se se adaptam ao sistema escolhido - ou se, simplesmente, a destreza necessária lhes falta.
Obrigações legais e complementos práticos
Em alguns países alpinos, a sinalização obriga ao uso de correntes quando determinadas condições se verificam. Se tiver apenas pneus all-season e não levar correntes, arrisca não só uma coima, como também ficar impedido de seguir viagem. Em acessos a estâncias mais remotas, há proprietários de alojamentos que chegam a exigir explicitamente correntes no veículo.
Ao mesmo tempo, nem as melhores correntes substituem uma condução ajustada. Travagens fortes com o motor, movimentos bruscos de direcção ou ultrapassagens arriscadas continuam a ser perigosos, mesmo com correntes. Complementos úteis:
- pneus de inverno com profundidade de rasto suficiente como base
- uma pequena pá dobrável para desimpedir a zona à frente das rodas motrizes
- uma lanterna frontal ou lanterna de mão para montar no escuro
- luvas interiores finas e luvas exteriores resistentes
- uma manta ou tapete velho para não se ajoelhar directamente na neve
Porque a preparação vale mais do que o sistema mais caro
Informar-se com antecedência evita compras erradas e surpresas desagradáveis. O melhor conselho é simples: não basta comprar correntes - é preciso conhecê-las. Isso inclui guardar o saco num local acessível no porta-bagagens, não deitar fora o manual de instruções e fazer pelo menos um ensaio no pátio antes da grande viagem.
Dessa forma, também se percebe se as “meias” têxteis chegam para o uso habitual ou se as correntes de aço fazem mais sentido. Um pendular que, ocasionalmente, enfrenta uma estrada secundária com neve tem necessidades diferentes de uma família que todos os anos sobe para férias de ski num SUV carregado, com caixa de tejadilho, por estradas de montanha íngremes.
No fim, o que conta não é a promessa da publicidade, mas a prática real: quem domina o equipamento, entende os seus limites e não o trata como um seguro para tudo chega ao destino no inverno com muito mais tranquilidade e segurança.
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