O agravamento do preço do combustível está a alimentar os piores receios em França.
O gasóleo já chega aos 2,24 euros por litro e a gasolina ronda os 2 euros por litro. Estes valores são os mais altos observados no país desde 1985 e deixam em aberto muitas interrogações para as próximas semanas e meses.
Para já, a guerra no Irão parece longe de uma resolução. E mesmo que o conflito terminasse, seria necessário bastante tempo até que as exportações de petróleo pelo estreito de Ormuz - responsáveis por 25 % do mercado mundial - voltassem a um patamar considerado normal.
Preços dos combustíveis em França: de um pico a uma mudança de regime
Como sublinham os nossos colegas de La Tribune, esta trajectória de preços significa que a discussão já não é a de um simples pico, mas sim a de uma verdadeira mudança de regime para a economia. Muitos sectores já estão a sofrer de forma intensa - transportadores, agricultores, pescadores e, de modo geral, todos os grandes consumidores de combustível - e esse impacto acabará por se reflectir nos preços, com inflação à vista para os consumidores.
Resposta do Executivo e opções fiscais na Europa
Enquanto alguns países europeus vizinhos optaram por reduzir os impostos sobre os combustíveis para atravessar este período, não é essa a via seguida pelo Governo francês. O Executivo defende que a França está limitada do ponto de vista orçamental pelo peso da dívida e, por isso, prefere por agora apoios direccionados, circunscritos aos sectores mais expostos. Resta perceber se esta posição será sustentável com o passar do tempo: a tensão social aumenta e o Estado poderá acabar por ter de “abrir as torneiras”, incluindo para os particulares.
O choque dos 200 dólares o barril
Sem que se vislumbre uma saída para o conflito no Médio Oriente, Tamas Varga, analista da PVM Energy, referiu recentemente que um cenário antes visto como impossível pode ganhar forma:
"Se os Estados Unidos lançassem uma invasão terrestre do Irão, ou se Teerão intensificasse os seus ataques de retaliação contra infra-estruturas energéticas ou fechasse completamente o estreito (de Ormuz, nota do redactor), as projecções de um barril de petróleo a 200 dólares (ou seja, 173,61 euros) deixariam de ser uma hipótese absurda."
Estas evoluções teriam efeitos muito concretos - e devastadores - no quotidiano. Em entrevista recente à BFM Business, Guillaume Dard, presidente da Montpensier Arbevel, sociedade de gestão empresarial, voltou a abordar o impacto desta crise energética. Na sua leitura, "se tivermos o cenário de catástrofe, com o fecho do estreito de Ormuz e um preço do petróleo a 150 dólares o barril, isso representa 400 euros por mês para esse mesmo agregado."
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