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O misterioso motor W10 da Volkswagen apareceu num BMW M5 E39

BMW cinzento escuro estacionado em espaço fechado com motor exposto ao fundo à direita.

Alguma vez tinham ouvido falar de um motor W10? Toda a gente conhece o W16 da Bugatti, o W12 utilizado por vários Bentley, Volkswagen e Audi, o W8 do Passat e até houve protótipos com W18. Um W10, porém, nunca tinha surgido no radar. Até agora.

Ao que tudo indica, a Volkswagen também trabalhou num motor W10 no início deste século - algo que, em teoria, deveria ter ficado restrito a conhecimento interno, mas acabou por vir a público.

Um mecânico alemão da Volkswagen, Ari, publicou recentemente na sua conta de Instagram fotografias de componentes deste W10, desencadeando uma verdadeira «caça ao tesouro» para perceber melhor a origem e os detalhes de um motor tão invulgar.

A publicação The Drive também se mostrou curiosa e falou com Ari para esclarecer a proveniência do W10. Segundo ele, o motor foi-lhe vendido em 2011 por um cliente, que afirmou ter guardado a unidade para impedir que fosse destruída em Wolfsburgo (a sede da Volkswagen).

Pelo que Ari conseguiu apurar, o motor que comprou será apenas um de três W10 da Volkswagen que ainda existem. Agora, já com peças de uma dessas unidades, a meta é fazê-lo trabalhar.

O problema é que quase não há informação disponível sobre este W10 - o que explica a publicação no Instagram e o apelo de Ari a quem tivesse dados adicionais sobre o motor.

Entretanto, a The Drive também investigou por conta própria e encontrou algo ainda mais inesperado: descobriram um BMW M5 E39 equipado com este W10 e está à venda - já lá vamos…

As origens do W10

Para perceber como se chega a uma arquitectura tão pouco comum como um W10, é preciso recuar a 1991, ano em que a Volkswagen lançou o primeiro VR6.

Foi precisamente esse motor que acabaria por servir de alicerce aos conhecidos motores “W” do Grupo Volkswagen, construídos a partir da junção, na cambota, de dois blocos “VR”. O W12, por exemplo, nascia da combinação de dois VR6.

O VR6 começou por ter 2,8 l de cilindrada - mais tarde evoluiu para 3,2 l e 3,6 l - e, alguns anos depois, a Volkswagen derivou daí o VR5 com 2,3 l. Muitos lembrar-se-ão dele em modelos como o Volkswagen Bora ou o SEAT Toledo.

Apesar de ter tido uma carreira curta (1997-2006), essa unidade acabou por estar na base do W10: dois blocos VR5 colocados com um ângulo de 72º entre si. Ainda assim, embora tenha servido de ponto de partida, VR5 e W10 diferem bastante, incluindo no material do bloco: ferro no primeiro e alumínio no segundo.

Ainda assim, como Ari quer pôr o seu W10 a funcionar e estes motores seguem uma lógica modular, é bastante provável que consiga completar o projecto recorrendo a componentes de outros motores “VR” ou “W”.

Um dos W10 está… num BMW M5 E39

O que nem Ari nem a The Drive pareciam antecipar é que, dos alegados três W10 existentes, um deles estará aparentemente 100% operacional e instalado no compartimento do motor de um BMW M5 E39 (!) - como foi lá parar? Melhor ainda: esse M5 com W10 está anunciado para venda.

O carro foi encontrado na GDM Motors, uma equipa germano-belga ligada às corridas no campeonato GT, que detém este protótipo de testes. Ao que é indicado, o único BMW M5 W10 conhecido está à venda, embora sem preço divulgado.

Então como é que um W10 da Volkswagen foi parar a um BMW M5 E39? A explicação parece relativamente directa: no Grupo Volkswagen, então comandado pelo todo-poderoso Ferdinand Piëch - o «pai» dos motores W -, não terá havido um “recetáculo” adequado dentro do grupo para testar este novo W10.

Se pode parecer surpreendente recorrer a um automóvel de um concorrente como «mula de testes», talvez já não seja tão estranho que a escolha tenha recaído sobre o M5 E39, uma referência na época e, para muitos, ainda hoje o melhor M5 de sempre.

De acordo com a GDM Motors, a combinação entre o W10 e o BMW M5 resultou tão bem que Ferdinand Piëch acabou por se apropriar da «mula de testes» e usá-la como carro do dia a dia…

V8 vs W10

Recorde-se que o BMW M5 E39 vinha originalmente equipado com um V8 atmosférico de 4.9, com 400 cv - e que a chegada de um M5 com 10 cilindros só aconteceria na geração seguinte, a E60.

Segundo o anúncio da GDM Motors, o W10 debita entre 450 cv e 500 cv e desenvolve 550 Nm de binário - valores acima dos do V8 4.9. A cilindrada do motor não é indicada, mas Ari estima que o seu W10 deverá rondar os cinco litros.

Tal como no BMW M5 E39 de origem, a força segue para as rodas traseiras através de uma caixa manual de seis velocidades. A GDM Motors acrescenta que o carro pesa 1836 kg, cerca de 40 kg acima do modelo original. Isto também ajuda a enquadrar o peso do W10, que deverá ficar abaixo dos 200 kg.

Ainda há várias pontas soltas nesta história e faltam confirmações sobre as especificações exactas do W10, mas agora que a sua existência foi exposta, é provável que surjam novos desenvolvimentos.

Fonte: The Drive

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