Hoje celebra-se o Dia Internacional do Obrigado. E fazê-lo logo no arranque do ano parece-me particularmente adequado.
Quando começamos a desenhar mentalmente os próximos 12 meses - muitas vezes com uma visão demasiado focada em metas pessoais -, parar para reconhecer o que ficou para trás e quem nos estendeu a mão é um exercício que todos devíamos treinar.
Dia Internacional do Obrigado e a Razão Automóvel
Antes de entrar no tema central, deixem-me dizer um obrigado a todos vós. Obrigado por voltarem a fazer da Razão Automóvel o líder de audiências em Portugal. É assim há cinco anos consecutivos.
E, dito isto, há um agradecimento adicional que também me parece justo: ao motor de combustão. Sobretudo agora, quando - se nada mudar… - a sua “morte” na Europa está a pouco mais de uma década.
Obrigado motor de combustão
Começo precisamente por aqui. A forma como se inscreveu no calendário uma data para o fim dos motores de combustão é injusta - para a sociedade e para a própria tecnologia. Mas vamos por partes.
Antes de mais, há uma ingratidão evidente perante uma tecnologia que nos deu (e continua a dar) tanto. Por razões que me ultrapassam, foi empurrada para o papel de «inimigo público n.º 1».
"No entanto, não exagero se afirmar que poucas invenções tiveram um impacto tão profundo e positivo na sociedade."
Além de tudo o que proporcionou, é uma tecnologia que também soube evoluir, atenuando as suas externalidades. O Renault Espace ou o Toyota Prius - para referir apenas dois modelos híbridos que conduzi recentemente - demonstram-no de forma clara.
Um dia, o tempo acabará por fazer justiça ao automóvel e ao motor de combustão. Ainda assim, não me parece que esse dia seja hoje. Hoje, o que se faz é anunciar a “morte” daquilo que, para milhões de pessoas, continua a ser a única alternativa de mobilidade. Só por isso, já é injusto.
O calendário do motor de combustão e 2035
Sim, como qualquer tecnologia, também esta tem um ciclo de vida. Mas não vejo razão para que se esgote em 2035.
Legitimidade
Para que serve acabar com o motor de combustão? E com que legitimidade? Das várias vezes que fui chamado a votar, não me lembro de ter escolhido algo semelhante. Nem eu, nem a esmagadora maioria dos europeus. Há aqui - no mínimo… - um problema de legitimidade democrática.
Depois de tudo o que o motor de combustão fez pela sociedade ao longo dos últimos 100 anos, merecia, pelo menos, uma morte natural. O que vamos ver é uma morte decretada em Bruxelas. Sem necessidade e com consequências que ainda estão por revelar.
"Tenho esta teimosia de acreditar na liberdade de escolha."
Estamos a acelerar o calendário sem verdadeira urgência. E, como o passado já mostrou, um futuro livre tende a abrir caminhos melhores do que os impostos. Seja através de carros elétricos a bateria, elétricos a hidrogénio ou motores de combustão alimentados a combustíveis sintéticos.
Sinais positivos não faltam. Os carros elétricos abaixo dos 25 mil euros estão praticamente aí, ao virar da esquina, e outras tecnologias que hoje nem imaginamos poderão surgir num futuro próximo. Por tudo isto, era desnecessário fixar uma data no calendário.
Digo-o sabendo que o meu próximo carro deverá ser 100% elétrico - sim, estou longe de ser um fundamentalista dos motores de combustão. Até porque, para as minhas necessidades, um elétrico a bateria é a solução mais sensata. Mas não tem de ser assim para toda a gente - e não é assim para toda a gente.
Por isso, acredito que há algo ainda mais importante a proteger: o direito à mobilidade individual na Europa. No fim de contas, é disto que falamos. Da mobilidade e da liberdade de 500 milhões de europeus.
Por tudo isto e muito mais, obrigado motor de combustão.
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